O Cheiro da alma

SINESTESIA (2)

O sol já invadia o quarto numa inundação de beleza

Lambendo nossos corpos lentamente como um ato de amor

O vento sopra o cheiro de manha que invade o local e se mistura

Ao cheiro de nossos corpos ainda impregnado no ambiente

E é doce…

 

Ela deitada ao lado, iluminada pelo sol, como numa pintura

Seu corpo delicadamente posto na cama se apresentava com perfeição,

Os olhos fechados e protegidos no escarlate de seus cabelos assimétricos

Me encantava

 

A delicadeza da cena se ascendia em mim como se montada para um filme

As pernas entrelaçadas a minha, de bruços, abraçada ao travesseiro

Numa tranquilidade que transcendia a tudo que acontecia no mundo lá fora,

Ali estávamos em nossa catedral, era nossa oração…

 

Aproximei meu rosto e meu corpo,

O seu calor me acendia,

E o único movimento me tocou a alma,

Era sua respiração…

 

Ela se fundiu a minha e o seu cheiro era doce, suave, desejo…

 

O cheiro de sua alma invadia a minha com vida,

O meu lhe chamava…

 

Ela piscou, me viu, percebeu, sentiu

Sorriu,

Se aproximou e delicadamente me tocou os lábios com os seus,

Me puxou, abraçou

E sem dizer nenhuma palavra a mais, deitou no meu peito

E adormeceu…

 

Clarence Santos

 

(Ilustração: Memeto Oliveira)

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