SOBRE FEITICEIROS… (3)

“O Feitiço”

 

A arte de trazer vida com as palavras,

Feitiçaria…

 

O poder de criar do nada,

de fazer sentir

de fazer viver

de fazer sorrir…

 

Esta é a teoria que sempre acreditou,

Que sempre conheceu.

 

Feiticeiras são deusas das palavras,

Poesia viva e magica.

 

Mas como mito sempre ouviu,

De quem nem de palavra precise,

Que com um simples pensar, traga do desejo a pele, a magia.

Nunca acreditou, até que entendeu, que do feitiço dela

Ele não conseguiu fugir.

 

Foi tocado pela magia e só depois percebeu,

Quando sentia o odor inebriante de seus cabelos

Mesmo nem estando ali,

Quando sentia a profundidade de seu

Mesmo sem se cruzar,

Quando se envolvia em sua voz

Ouvindo apenas sussurrar feitiços em seus pensamentos…

 

Feitiçaria da saudade, o nome que aprendeu

De quem de longe cria desejo,

De quem distante inspira a falta até do que não se teve…

De quem até sem nenhuma palavra, caneta ou pena,

Tem o poder de fazer sorrir…

 

Clarence Santos

 

(Ilustração: Memeto Oliveira)

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Sobre Feiticeiros… (2)

“A Feiticeira”

 

E só quando entendeu o que acontecia,

Ele lembrou do que dizia o velho magico:

“Feitiçaria é a arte de trazer vida com as palavras…”

 

Pois com palavras ela trouxe vida a corpos inertes,

Haja luz, e houve luz,

Haja musica, e houve musica,

Haja vida… E silhuetas moldadas no barro viram carne…

E dançam leves,

num emaranhado de corpos,

Movimento e musica.

 

Olhos que se encontram entre a volta de um lado a outro,

O cheiro dos cabelos que invade o olfato,

O sorriso da alegria da vida,

As mãos que embalam os movimentos,

O calor que se emana e sente-se então vivo.

 

E assim ele então compreendeu,

Ela, feiticeira também é deusa,

Que da palavra trás vida,

Que dá palavra viva…

 

Clarence Santos

 

(Ilustração: Memeto Oliveira)

Sobre feiticeiros…

“O Feiticeiro”

 

Ele achou tudo meio confuso ao que estava acostumado,

Aprendeu, desde sempre, a ler olhos,

Mas desta vez eles se escondiam.

 

Ele tentou a noite toda,

Mas como um guerreiro foge da medusa,

Com medo de virar pedra,

Ela escondia seu olhar.

 

Hora nos cabelos que brilhavam como em festas de Baco,

Outras em meio a danças onde seu corpo virava musica,

Mas ele insistia, até compreender que ela também conhecia da feitiçaria…

 

Os olhos se encontraram, pouquíssimas vezes, depois de muito cansaço,

Mas ele perdeu, feiticeira poderosa, não tentava se esconder,

Descobriu depois, com misto de alegria e tristeza,

Que dos cabelos a dança,

Tudo não passou de um rito perfeito para prende-lo.

 

Clarence Santos

 

(Ilustração: Memeto Oliveira)

“Feitiçaria…”

As vezes acho que estou apaixonado,
mas penso bem e entendo que nao,
é maior…
paixão é palavra fraca, desgastada…
estou é encantado, enfeitiçado,
e feitiçaria é isso,
o poder de transformar as coisas pelas palavras,
o poder de trazer o ser do nada,
o poder de ser deus, deusa…
mudar o mundo…
criar um mundo…
apenas com um “sim”…

Clarence Santos
(Ilustração: Memeto Oliveira)